Efêmera

24 fev

Abro a porta e teu sorriso me surpreende, prende.
Eu te olho e você me olha de volta.
Te contemplo.
Me perco em teu universo e não vejo a hora passar.
No cruzar dos nossos olhares, tudo parece ficar bem.

Revivo nossos instantes e no meu coração se faz festa.
Sinto vontade de te abraçar, mas você não me vem de encontro.
Só o teu cheiro me toma.

O telefone, que agora toca, rompe o silêncio.
Te roubo um beijo e lhe volto a estante:
Estático, retrato.

Pelo fim das promessas de fim de ano

21 dez

Entra e sai ano e você tá aí fazendo as mesmas listas com “promessas para dois mil e não sei quantos”, mas a verdade, colega, é que no ano que vem…

 – Você vai se apaixonar de novo por um idiota, ou talvez, até continue apaixonada pelo mesmo. E ele vai seguir a vida dele, sem saber da sua paixão e muito menos porque você o acha idiota;

 – Vai continuar reclamando que o fulano foi promovido àquela vaga que você merecia e não fez nada pra conquistar;

 – Se olhar no espelho e achar que precisa perder mais 2 kg;

 – Ficar indignado porque as pessoas compartilham tantas coisas que você não gosta no Facebook e ainda assim, mantê-las nos seus feeds;

 – Vai ver um monte de promessas da sua listinha ficando pra trás, se frustrar, dormir irritado e acordar sem fazer nada.

 A grande verdade é que,
Se você, o João, a Maria e eu não sairmos do lugar, tudo continua igual. É clichê, mas a gente esquece.
E não adianta culpar o seu amigo idiota, seu amor não correspondido, a enfermeira ou o governo.

Pegue a sua bendita lista, cole na porta e a use como motivação pra buscar coisas novas ou rasgue logo essa merda e vá dar uma chance pra si mesmo.

 E quer saber? Eu não vou prometer nada. Nem pra mim, nem pra você. O que eu quero MESMO, é um 2012 com menos promessas e mais atitudes. Porque no final das contas, o que importa é o que a gente faz e não o que a gente pensa.

Boas festas pra todo mundo!

A chave, a porta e a janela

5 jul

Era inverno e as crianças brincavam lá fora enquanto a chuva não dava sinais de chegar. Do lado de dentro, ele era mero expectador.

Já passava dos 40 e vivia só, agarrado a uma velha manta e ao passado que ninguém jamais conheceu.

A grama estava alta e as pinturas na parede já começavam a descascar. Às vezes, os vizinhos chamavam no portão, que nunca se abriu. O homem não tinha amigos, nem sorrisos. Só silêncio e solidão.

Correram as estações. As crianças continuaram brincando na calçada e a grama crescendo no jardim, mas ele permaneceu ali, sem nada fazer. Tinha a chave nas mãos, porém se trancou. Envelheceu vendo a vida passar pela janela.

Entre acordes compus estas linhas

10 mar

No início não reconheci o som. Eram só ruídos, descompassos e uma voz lá ao longe. Mas de alguma forma me prendeu, me chamou. E eu segui em frente.

Perdida, me guiando pelos acordes te descobri canção. Descobri teu universo em notas altas e harmoniosas e acabei ficando.

Os ruídos ganharam “forma”. E agora já havia letra e melodia. Havia mãos dedilhando nossos anseios. Entre claves de sol e dó e sem obrigação de ser rock ou bossa nova, nossa história foi se compondo.

Percorremos cada linha da partitura e a canção já vai chegando ao fim.  Mas ainda há outras folhas soltas, outras notas e outros arranjos pra se descobrir. Vem comigo, vamos continuar escrevendo a nossa trilha.

Depois da festa

31 dez


É o último post de 2010, e eu não podia deixar de registrar o que, pra mim, representa a data de hoje.
Eu acredito que ANO NOVO é o que a gente faz de diferente no decorrer dos dias que seguem. São atitudes e escolhas que fazem do nosso ano, NOVO ou NÃO. E aquela promessa de que “no próximo ano tudo vai ser diferente”, na verdade só faz sentido quando a gente muda primeiro.

Os fogos vão cessar, a festa acabar e ao amanhecer as coisas vão estar do jeito que deixamos. O que muda é o calendário. Ou pode ser a gente.

Por isso, pra nós: Feliz novas escolhas.

Papel de Pão

14 dez

Declarações de amor
Escritas em um papel de pão
Era um mix de manteiga e solidão
Que me derretia nos versos teus
Manteiga e papel de pão
Versos e solidão
Versos de manteiga
Em papel solidão

Por @prisgermano, minha BFF.

Tá pronto?

3 dez

Eu vivo achando que tô atrasada pra alguma coisa. E se você é publicitário, também já deve ter sentido isso algum dia. Afinal, nessa vida em agência, TODOS os jobs do mundo têm urgência e TUDO é pra ontem. E não, eu não tô aqui pra reclamar do fato, da profissão, dos clientes, agências e afins. Só pensa comigo…

Quantas vezes você foi cobrado por aquele título urgente ou aquela alteração “rapidinha” no anúncio? É um cobra daqui e dali, diário. E aí você vai lá, faz o trampo, e entre mil alterações e refações, a campanha vai pro ar. A verdade  é que a gente corre contra o relógio o TEMPO INTEIRO.

Mas e você, já pensou no que é urgente na SUA vida?

TÁ PRONTO?  ISSO AÍ ERA PRA ONTEM.

Eu não sei de você, mas o job “Lua, aproveite a vida lá fora” tá pipocando na minha pauta. Por isso, eu vou desligar o PC e correr pra rua. É sexta-feira, mais de 18 horas, o fim de semana tá começando e eu não quero estourar o deadline do trabalho. Sabe por quê? Minha vida também é prioridade.